Sonhar!
O sonho comanda a vida, palavras do poeta, esse ser que sentia que devia sonhar para poder sentir-se acordado, vivo. De um sonho, 11-M, vai passar a ser uma realidade, um facto.
Deixo-vos com um exerto que retrata o sonho.
"Parecia que Sallam estava a ver um ser perfeito voando sobre cabeças de mortais petrificados com a leveza e a suavidade de uma liberdade distante. Desde esse dia que se lança num mar de pensamentos e ambições, riscando com a vista um quadro de três estacas de cana grossa, duas cordas e uma pequena vara. Pinta na memória os braços a esticarem-se e duas mãos a colarem-se na vara. Sente de súbito a brisa do norte nas faces, refrescando os nervos que lhe soam a pele; o sol parece o holofote que ilumina o artista, dando-lhe projecção e evidenciando protagonismo; fecha os olhos imaginando uma multidão, que rendida aos seus movimentos no trapézio, mantém-se colada nas bruscas ansiedades de um perigo constante. Ele prepara-se para o número mais arriscado alguma vez tentado pelo Homem. As pernas esticam-se e encolhem-se harmónicamente, o peito parece um balão insuflado por um ar concentrado. As palavras calam-se nas bocas, e os ouvidos ficam surdos no silêncio de um segundo. Apenas o cavalgar dos corações se sente como batida entusiasmante. Largou a vara. O pássaro humano voa, parece tocar as nuvens, é um corpo belo, de braços abertos, sente o tempo que para no instante de um suspiro, duas cambalhotas e na vertigem de um décimo de segundo cai como uma pena nos fortes braços de um outro colega, perfeitamente concebido para o realizar daquele numero. A multidão, de respiração sustida, corações empolgados nervosamente, saltou no ar entusiasmada. Eram homens e mulheres em abraços, pequenadas emocionadas. Todos aclamavam os artistas, palmas soavam pelos ecos do mundo fora. O seu momento era aquele, pelo qual tinha trabalhado e preparado com concentração e dedicação, era o seu sonho, a sua realização.
Sallam abriu os olhos e via que o horizonte continuava igual, com o céu e a terra a tocarem-se no ínfimo lugar da distância entre a realidade e o sonho."
in 11-M, o 11 de Março em Madrid

3 comentários:
Ó Madrid!!! E que Sonhos!!!
Isso lembra me Cervantes, esse icone da literatura castelhana. Gostaria de deixar aqui uma duvida q me persegue há algum tempo, e humildemente solicitar a tao ilustres pensadores, ou pensador, me ajudem a perceber.
Quem é a personagem principal da historia? Poderá ser a Dulcineia?
Terá ele criado o Sancho Pança, pra servir o D.Quixote, ou o contrario?
E aquelas batalhas? Seriam só imaginaçao dele, ou haveria mesmo inimigos, mouros , sarracenos?
Bem haja ou Bem hajam, conforme seja um ou mais pensadores, e como a conjugaçao do verbo impõe.
Nao se preocupem se nao chegarem a conclusoes, isto sao só ideias!!
Que este teu sonho tornado realidade seja o inicio e a rampa para muitos mais.
Sei que acreditaste neste projecto, acredita nos que virão... essa é a tua vontade e o teu desejo, não desistas deles... investe neles.
Desejo-te grandes realizações pessoais bem como profissionais.
Que a inspiração esteja sempre em ti e que Deus te abençoe.
Hoje e sempre...
Raquel
Parabéns. beijo
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