sábado, junho 18, 2005

Sinais...ou apenas uma vida!!! Contos de reflexão!

Este texto que vou passar a reproduzir, é o primeiro conto de, não dois como tinha dito no texto sobre sinais, mas de uma série de uns quantos que desejo passar a partilhá-los com todos vós de forma reflectirmos sobre o que pode ser afinal a vida, os chamados sinais, ou mesmo sobre nada, dependendo apenas de quem os ler e daquilo que afinal é nesta vida, o que para si representa o seu próprio corpo, alma, espírito, enfim, não quero obrigar ninguém a nada, apenas partilhar pensamentos, nesta casa que é feita de uma personalidade, que é construída numa reflexão e que ganhou vida e cara pelos próprios pés.
Antes gostava de transmitir umas poucas palavras a todos os que tem passado por aqui. A todos eles, e sem excepção, mesmo aqueles cujo o seu testemunho pode não ter sido o mais agradável à própria vista, mas todos eles são opiniões, formas de estar, e tiveram o à vontade de dizerem o que pensavam, sentiam, e a todos eles o meu Obrigado!
Mas gostava de transmitir a uma pessoa em especial, alguém que encontrou aqui uma casa, um lar perdido neste deserto de emoções, habitado pelas dunas de encontros e desencontros, alguém que se sentiu bem e ficou, para ti, fica e deixa-te ficar o tempo que quiseres, pois pessoas com a tua coragem são muito poucas, mas acima de tudo quero-te dizer que és um enorme ser humano, de língua Portuguesa, és alguém a quem agradeço e presto a minha simples homenagem como símbolo de admiração pela partilha deste espaço…Obrigado Meireles!

Agora o conto, enquanto o lerem tentem fazer uma pausa em cada frase e tentar imaginar o que se está a passar:


“Vou caminhando por uma vereda.
Deixo que os meus pés me levem.
Os meus olhos pousam-se nas árvores, nos pássaros, nas pedras.
No horizonte recorta-se a silhueta de uma cidade.
Fixo nela o olhar para a distinguir bem.
Sinto que a cidade me atrai.
Sem saber como, dou-me conta de que nesta cidade posso encontrar tudo o que desejo.
Todas as minhas metas, os meus objectivos e os meus logros.
As minhas ambições e os meus sonhos estão nesta cidade.
Aquilo que quero conseguir, aquilo de que necessito, aquilo que eu mais gostaria de ser, aquilo a que aspiro, aquilo que tento, aquilo pelo que trabalho, aquilo que sempre ambicionei, aquilo que seria o maior dos meus êxitos.
Imagino que tudo está nessa cidade.
Sem duvidar, começo a caminhar até ela.
Pouco depois de começar a andar, a vereda põe-se a subir pela encosta acima.
Canso-me um pouco, mas não importa.
Sigo.
Avisto uma sombra negra, mais adiante, no caminho.
Ao aproximar-me, vejo que uma enorme vala impede a minha passagem.
Receio….duvido.
Desgosta-me não conseguir alcançar a minha meta facilmente.
De todas as maneiras, decido saltar a vala.
Retrocedo, tomo impulso e salto…
Consigo passá-la.
Recomponho-me e continuo a caminhar.
Uns metros mais adiante, aparece outra vala.
Volto a tomar impulso e também a salto.
Surpreende-me um abismo que detém o meu caminho.
Detenho-me.
È impossível saltá-lo.
Vejo que num dos lados há tábuas, pregos e ferramentas.
Dou-me conta de que estão ali para construir uma ponte.
Nunca fui habilidoso com as minhas mãos…
….penso em renunciar.
Olho para a meta que desejo…e resisto.
Começo a construir a ponte.
Passam horas, dias, meses.
A ponte está feita.
Emocionado, atravesso-a
e ao chegar ao outro lado…descubro o muro.
Um gigantesco muro frio e húmido rodeia a cidade dos meus sonhos….
Sinto-me abatido….
Procuro a maneira de o evitar.
Não há forma.
Tenho de o escalar.
A cidade está tão perto….
Não deixarei que o muro impeça a minha passagem.
Proponho-me trepar.
Descanso uns minutos e tomo ar….

Rapidamente vejo,
de um lado do caminho,
uma criança que olha para mim como se me conhecesse.
Sorri-me com cumplicidade.
Faz-me vir à memória como eu próprio era… quando criança.
Talvez por isso me atrevo a expressar em voz alta a minha queixa.

-Porquê tantos obstáculos entre o meu objectivo e eu?

A criança encolhe os ombros e responde-me.

-Porque mo perguntas a mim?
Os obstáculos não existiam antes de tu chegares…
Foste tu que trouxeste os obstáculos.


Jorge Bucay.

2 comentários:

Anónimo disse...

Agradeço a receptividade nesse mar de emoções, onde expressamos nosso jeito de ser, de pensar e reagir.

Anónimo disse...

A sociedade dos homens acabou criando uma serie de obstaculos para a vida.Mas somos nós individualmente que os criámos para ela.Temos em nosso poder a possibilidade de os ir fazendo pequenos,cada um para si eliminar os obstaculos criados.A nossa passagem pela vida pode ser rica de tanta coisa,de sentimentos , de partilhas, de vivencias, até de sonhos.Temos de aprender como as águas que correm no rio serenas o seu rumo até ao seu destino.