sexta-feira, março 04, 2005

O ELEVADOR


Posted by Hello


Diante de mim as portas encontravam-se fechadas. As suas cores cinzentas faziam prever um local estranho, arrepiante, muito frio, daqueles que nem a nossa imaginação consegue desenhar.
Chegou e abriram-se as portas. Lá dentro um enorme vazio ostentado por um silêncio pintado por um nada, uma ausençia. A minha respiração estava num leito de receios, medos, numa falta de coragem subita, que me impelava a fugir, a esquecer. Mas subitamente senti uma força vinda das minhas costas que me empurrou para o interior daquela caixa. Estremci com o fechar das portas e rapidamente entre um leve abanão, ele deslizou. Olhava as paredes sem encontrar um reflexo, um canto, uma simetria, parecia estar dentro de algo que era uma unidade, sem uma curva ou mesmo um cruzamento de lados. Queria gritar mas não conseguia, queria saltar mas não me apetecia, queria chorar mas não sentia, queria mexer mas não tinha impulsos. O tempo parou, pois já não sabia se teria saido há muito ou há pouco, se teria morrido ou continuava a viver. Mas não sentia angustias, medos, agonias de quem já não se encontra. Dizem que quando atingimos a morte, o fim , vemos um tunel, e no seu fundo uma luz desespera pela nossa chegada. Fechei os olhos, e a verdade é que comecei a ver a entrada de um tunel, uma forma estranha arredondada, com um asfalto iluminado pela forte luminosidade que transpirava do seu fundo. Havia um semáforo na entrada, que pintado de um vermelho vivo, permanecia estático, sem se mover. Não entendia o poruquê de ele não mudar de cor, pois sentia uma enorme proibição em penetrar no tunel. Recordo-me de um dia alguém me dizer que a vida é também um tunel , onde nós só devemos olhar em frente pois para trás ficará sempre o nosso passado, fechado numa escuridão de recordações. De repente vi-me abrir os olhos, pois um forte solavanco acordou-me. As portas permaneciam fechadas. Continuava a não escutar nada. Um vazio então apoderou-se por completo de mim. Deixei mesmo de saber quem era, onde estava ou mesmo o que era. Teria subido assim tanto, que assim que as portas se abrissem iria deparar-me com nuvens, desenhos pintados de azul, um Homem vestido de branco, com barbas seculares, um olhar terno, uma mão reconfortante e dizer-me: "Bem-vindo, esta é a tua casa."
Fui de repente fustigado de novo por um regresso abrupto do meu Eu, de todas as sensações do meu corpo, da minha pessoa. E uma leve brisa começou por refrescar-me a pele. Era muito fresca, mas agradável. Finalmente, as portas abriram-se, e os meus olhos foram pintados por um campo de uma seara que dançava no doce som do vento que tocava a mais bela melodia, dançando o corpo do imenso campo que contornava todo o horizonte dos meus olhos. Pensei em não sair, mas a beleza deste quadro era mais forte do que o medo de admitir a chegada da partida. Caminhei e caminhei, voltei a caminhar, resolvi mesmo correr, sentia o vento na cara, e o sol que ao fundo do quadro me aquecia a pele, como que uma mistura de ingredientes perfeitos para um prato de um manjar de sensações que conseguiam unir o meu mais profundo intimo com o meu mais arrebatador exterior. Queria que aquele momento não terminasse, desejei que as minhas pernas nunca cedessem ao cansaço que parecia não sentir, invocava a paragem completa do tempo, não queria saber dele, não queria depender dele. Tudo foi um espanto até à sua chegada. Veio pelos seus pés, observando a minha enorme felicidade, parou algumas vezes, olhou o céu, fechou os olhos ao sol, aquecendo-os, e depois continuava a caminhar, até que chegou junto a mim, nas minhas costas e parou. Eu inicialmente não o via, mas já sentia algo de muito forte junto a mim. E quando finalmente reparei que estava ali, perto de mim, eu olhei-o fixamente. Estivemos por certo a fitarmo-nos durante uns minutos, mesmo horas, sem que nenhum tivesse a vontade de reagir à presença do outro. Mas o poisar de um passaro de cores brancas, no seu ombro levou-o a dizer-me: " O que fazes aqui?" Não percebi. " Eu tomei o elevador, e foi ele que me trouxe aqui, só me lembro disso." Não sei porquê, mas não tinha necessidade de saber quem era, parecia já o saber. E ele voltou-se para o sol, olhou tudo o que o rodiava, e voltou-se novamente para mim, pegou-me na mão e disse-me: " Agora percebo tamanha beleza, foi pela tua chegada. Mas tudo isto é falso, pois não existe. Tu enganaste-te no andar, sabes, tens de voltar e regressar mais abaixo,pois tenho a sensação que alguém está à tua espera..." E nesse momento, tudo se transformou, e a minha visão voltou a ser violentada pelo formato daquela caixa monstruosa. Um andar abaixo, mas o que ele queria dizer com isso. A verdade é que a viagem não demorou, pois fui novamente sacudido pelo estremecer da paragem. E agora? O que vou ver quando se abrirem as portas? Agora sim, sinto um enorme medo. Mas o que é isto? Abri a mão que ele me tinha tocado e reparei que uma luz habitava na sua palma. Um brilho que se elevou diante de mim e me penetrou o peito, sugando-me um leito de receios, de medos, solidões, de sofrimentos, de revoltas, aspirou-me a alma de uma trizteza e fúria que pareciam consumir-me. Cai no chão do elevador.....
"Acorda! Acorda!"
"Sim? "
"Acorda que já são horas...olha que te vais atrasar"
Estava deitado numa cama, de conforto, de um intimo familiar...era a minha casa...não estava só. Dois seres brincavam nos fundos do quarto....a minha mulher e a minha filha.Senti-me tonto. Voltei a deitar-me e a fechar os olhos e foi então que percebi a pergunta: " O que estás aqui a fazer?"
A minha resposta é :" Estou a viver!"


Para esse GRANDE HOMEM LUIS GAMA...MEU AMIGO, ÉS UMA LUZ NA MINHA VIDA...UMA LUZ DE CORAGEM, UMA LUZ DE HUMANIDADE, UMA LUZ DE AMOR, UMA LUZ DE ESPERANÇA... MEU AMIGO ESTA LUZ É TUA....

2 comentários:

Anónimo disse...

Adorei o teu texto.
È uma verdade, estamos cá vivendo.
Estamos cá partilhando da luz,da cor,da beleza das coisas e dos seres que amamos e que nos amam.
A amizade de um amigo é muitas vezes mais intensa que o amor por alguem(excepto pelos filhos)pois perdura eternamente.
Sorte daqueles que podem partilhar de uma amizade pura e intensa de partilhas sem nada esperar em troca, mas contudo numa troca de alegria e amor.

Myrtle Beach Dude disse...

nice photo I had a great Spring Break in Myrtle Beach