terça-feira, setembro 19, 2006

R.

Sinto os dedos rasurarem os cumes da minha memória
Sinto as mãos abafarem os lagos dos meus pensamentos
Sinto que o rio do meu corpo seca na foz do olhar
Sinto que me perco na gruta oca do meu intimo
Sinto o ar cercar-me na redoma da minha existência
Sinto que estou no massacre das minhas palavras.
Sinto o que não consigo sentir por prisão do vazio.
Sinto que choro o seco das lágrimas do meu sofrer.
Sinto que me afogo nas mágoas que crucificam a minha alma.
O sentir é o vento que devasta no nosso nome,
Apagando-o nas linhas do horizonte?
O sentir é demolir o nosso corpo,
E jogá-lo no pó que abraça o universo?
Sentir é ser. Ser o que sentimos.
Abraçei-te como quem abraça a vida.
Senti-te como quem sente a fortuna.
Toquei-te como quem toca o infinito.
Amei-te como quem ama o divino.
E sinto que estou em divida.
Divida para com o amor.
Divida para com o tempo que deixei de te procurar.
Divida para com o sol que tapei para te brilhar.
Divida para com as palavras que podia te ter dito.
Divida para com os versos que podia te ter cantado.
Divida para com Deus, a quem te roubei
Para ser, simplesmente amado.
Estou aqui e em qualquer lugar
Com o sentir-te nas mãos e o amar-te no coração.



Porque sentir-te é viver. Obrigado por existires. A ti, meu Amor R.

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