Os meus olhos estão envoltos por uma lágrima, que aconchega a minha tristeza de não conseguir olhar-te, ver-te, sentir teus olhos fixarem-se nos meus. O amor é um sentimento puro, que nos leva numa viagem de onde a calma serena e tranquilizante de um mar de sentires se entrelaçam com um céu iluminado pelas estrelas pacificas de uma apaixonada lua companheira. Sinto este amor em mim, sinto que a loucura espontânea de amar se agita em mim, e deixai-me ser louco, louco pelos teus cabelos, pelos olhos, por essa tua boca que me adocica o intimo, deixa-me ser louco pelas palavras que soltas ao vento, pelos furacões eróticos que soltas no frenético bailado de nossos corpos, e deixa-me penetrar em ti para te adorar eternamente, sedutor, seduzido por ti, minha eterna Raquel. Pergunto-me como posso falar de amor se estou triste? Se na minha tristeza as paixões são ocultada pelas lágrimas, como falar de amor se estes afectos por que tanto desejo, esses teus toques, se espantam de meu sentir. Como falar de amor se tudo parece incoerência e contradição, para um comum mortal. Como falar de amor se minha alma não excita a lua, nem a flor, nem a fêmea de teu coração, porque não tenho a carne de teu corpo em meus braços. Haverá coisa mais absurda do que se sentir amor e sermos tristes? Falar apaixonadamente como um humano, como alguém que tanto deseja ser feliz a teu lado, Raquel, que quer te ver correr pelos campos fora e dançares na felicidade de um sorriso, no encanto de um abraço, em que as flores se confundem com tua alegria máxima de estares viva, pela vida que tanto te deve, que tanto te roubou, mas que tanto deseja que lhe dês a oportunidade de te ver feliz. Pode ser que a tristeza me confunda os pensamentos, mas não me oculta os sentimentos. O amor supera a tristeza, supera a vontade do fim, quando se ama, deseja-se, luta-se, mesmo que no silêncio de uma espera, mesmo que na presença de uma reflexão. Quero amar-te, quero lutar por essa tua vida, pela minha vida, quero pedir-te desculpas quando os meus erros trespassarem-te a alma, quero sentir as tuas angustias quando elas te assolarem o espírito, quero dar-te a mão quando a morte se atravessar em nosso caminho, quero olhar para ti quando sorrires pelo encanto de um momento, quero sentir o teu doce olhar quando pegares em teu colo nossa cria, fruto de um amor, quero ser o primeiro e o ultimo a verem-te, quero ser quem te abarca nas noites frias, quero ser aquele que te enchuga a lágrima quando ela se derramar em tua face, quero ser quem sou a teu lado, sendo tu, Raquel, quem és, a meu lado.
“Não quero procurar um refugio na tristeza,
Nem como fantasia lançar-me a voar nos braços da infelicidade,
Nem viajar pelo perfume obscuro de uma rosa sem cor
Nem fazer viagens com o meu barco por mares ondulados pelo engano.
Quero ser tão vulgar, original e louco por ti
Como aprouver à necessidade, ao acaso e ao destino.
Serei toda a magnitude de teu amor
Para que as hipócritas tristezas lavem a sua consciência em nosso sentir.
Darei o teu nome à minha sede de amar
De possuir os céus azuis sem fim,
À vertigem súbita em que me devasso com o sentir teu peito
Quando o vento de teus cabelos me atravessam meu leito.
Darei teu nome à limpidez
De certas horas puras em que me perdi por ser feliz
Às imagens de oiro que imagino a teu lado
A tudo o que sonhei e sonho no quarto de meu coração.
Pois isso tudo é só a minha vida,
Exalação da terra, flor da minha terra,
Fruto pesado, leite, sabor e alimento de mim.
Mesmo no azul extremo da nossa distância
Lá onde as cores todas se dissolvem no sentimento de nossos olhos
O que me chama é só a minha vida
Que tem um nome, o teu! O de Raquel!”
Para ti Raquel, e por ti.

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