terça-feira, novembro 08, 2005

Amigo!

Gostava de escrever para um amigo.
Gostava de lhe transmitir com a escrita a esperança que não consigo transmitir com a voz.
Gostava de ter o poder de escrever a sorte deste amigo. Gostava de ter o poder de escrever que ele já se levantou da cama do hospital, e esboçou um enorme sorriso, olhou seus pés, e sentiu-os mexerem-se sem as dores que o haviam molestado na noite anterior. Gostava de poder escrever que ele agora olha-se ao espelho e vê um novo rosto, com a força de tempos remotos, e que sente em si uma vida, uma vontade de poder estar junto de sua mulher, de sua filha, para as poder abraçar, sem se atormentar com os receios de tratamentos envenenados por uma vida baseada na dor.
Gostava de poder escrever que ele já voltou a casa, traz consigo a alegria de encher as paredes de sorrisos, de banhar os recantos da casa com uma felicidade eterna.
Gostava poder escrever que ele agora vai de pasta na mão para o seu gabinete, onde se joga na criação de factos e artefactos, desenhos iluminados pela mão de um criador sem precedentes.
Gostava de poder escrever sobre as caminhadas que ele agora faz pelas serras, em busca de um tempo perdido por entre camas desumanas de hospitais famintos de doenças mundanas.
Gostava de poder escrever que agora as suas lágrimas são substituídas por risadas constantes de uma família unida pelo amor.
Gostava de poder escrever que seus sonhos se transformam em realidades consumadas.
Gostava de ter esse poder, essa força que me foge da voz sempre que me confronto com seus olhos, e revejo essa enorme dor desesperante. Sei que posso não ter esse poder, mas sei que detenho um outro, o de amar o meu amigo.
Sei que o amo pelas suas palavras.
Sei que o amo pelos seus silêncios.
Sei que o amo pelas poucas risadas.
Sei que o amo pelos seus gritos.
Sei que o amo pelas lágrimas que derrama.
Sei que o amo pela sua revolta e seu inconformismo.
Sei que o amo por ser quem é…meu amigo.
Ele é o Meu Amigo, e orgulho-me de o dizer e sentir…mas isso não lhe traz saúde nem mais vida, mas nem a morte me trará o fim deste amor pelo meu amigo, então agora sei que posso não ter voz para o reconfortar, nem ter o poder de escrever uma bonita historia de sua vida, mas tenho um poder que nada me pode demover ou retirar, o poder de ser seu verdadeiro Amigo, com ou sem vida, sempre e para sempre AMIGO!


Para ti meu grande Amigo, com todo o amor de um Amigo.

2 comentários:

Anónimo disse...

É bom ter amigos como tu.
Obrigado po seres quem és...
Um abraço.
A.Amaral

Anónimo disse...

Amigo é assim mesmo.
Não se ter poder para fazer algo, mas ter o poder de amar. E amar assim, simplesmente.
Dizer que ama... ouvir dizer que nos ama.
Como é bom ter um amigo assim, e se ser amigo assim.
Podermos falar de sentimentos sem pudor, sem receios, sem medo da crítica.
Sentir que amamos sem ter necessidade de o provar e demonstrar.
Saber que nos ama sem ter a necessidade de ouvir.
Amigo é assim mesmo.
Já se escreveu muito sobre a amizade... mas mais que isso, é se ser assim mesmo.
Assim mesmo, Amigo.
Amigo... hoje e sempre...

RA