terça-feira, outubro 10, 2006

A Batalha



"Olhar para um campo de batalha é como olhar para o próprio destino. É pensar nas armas que se detém, como usá-las, manejando-as com a destreza de um guerreiro. É pensar nos passos que se dá, nos movimentos que se desenham. É pensar no passado como uma aula, no presente como uma oportunidade, e ter o futuro como uma vitória. Olhar o campo de batalha é olhar o medo e a coragem, enfrentar os pesadelos e os sonhos, arriscar os receios e as vontades. Olha-se a imensidão do espaço, fixando os lugares onde se pode jogar as estratégias, apontando os pontos onde se deve conquistar e re-conquistar. Olha-se o horizonte com a visão de um profeta, com o coração de um conquistador, mas com a mente de um guerreiro. Combate-se as barreiras dos que nos contestam, dos que discordam dos planos, mas abraçam-se aqueles que nos acompanham, que nos dão as mãos e nos sorriem no momento da queda, que nos limpam as feridas e nos exugam as chagas. Olha-se a capa que revestirá o corpo, limpa-se-lhe o sangue dos que padeceram, fecha-se a memória aos que partiram e veste-se o manto que nos guarda a alma, centro de um mundo onde só Deus consegue partilhar todos os tesouros conquistados e perdidos."

in "O Deserto dos Homens", Carlos Almeida

1 comentário:

Anónimo disse...

Não sei o que mudou, mas este blog já teve mais participação... Comentários em todos os textos, ou receitas de escrita... Ao autor aconselho uma reflexão, porém não é meu, o blog, e ele pode sentir-se bem assim, a escrever e exprimir-se. Ou será que os "amigos" deixaram de o acompanhar! Honestamente, gosto de aqui vir! De quando em vez deixa na escrita algumas mensagens com sentido e mais, com direito a reflectir. Não comento, mas hoje pareceu-me pertinente despertar o autor. Até breve... Até sempre.