Penso no tempo que já passou...
Esse corredor que nos envolve como um cobertor
Que nos aquece os momentos em que tudo já passou
Mas em que agora tudo está a passar...
Esse tempo que te levou, para junto do pó
Esse tempo em que paraste para nos veres andar
E nós caminhamos olhando-te no soslaio da noite
Sentimos-te na madrugada, pela humidade que vem até nós
Sentimos-te pelo vento que teima em rasgar caminhos
Sentimos-te pelas asas de um qualquer pássaro que nos vigia
Sentimos-te pelas árvores que nos resguardam na sombra do abrigo
Sentimos-te nos traços que deixaste, esses riscos acrobatas que se encantam no desenho.
Mas o tempo passou, e eu deixei-te de ver.
Deixei de olhar essa tua forma de rires livremente
Deixei de sentir essas tuas cruéis verdades que nos tornavam laços da liberdade
Deixei de ver esses contornos heróicos do teu lutar.
O tempo levou-os contigo, quando paraste lá trás.
Mas sabes meu irmão, eu também fiquei contigo lá atrás.
Fiquei no tempo em que nos abraçamos como cúmplices de ideias
Fiquei no tempo em que choramos as noticias
Fiquei no tempo em que rimos dos momentos que vivíamos como crianças
Foste um sábio no tempo, meu irmão
Foste um sábio da vida. És o meu sábio, o meu irmão.
Agora o tempo passa, não é o mesmo sem ti.
Mas o tempo guarda-te no meu coração, sempre.
Obrigado Luis Gama!
Obrigado Meu irmão!
Agora abraça-me, e deixa-te estar no meu pensamento!